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quarta-feira, 2 de março de 2011

MAREMOTOS PODEM ATINGIR O BRASIL?

Todos dizem que Deus é brasileiro, por vários motivos. Até o cinema nacional já tratou do assunto - com maestria, diga-se de passagem. Mas uma das maiores provas da suposta nacionalidade Dele é a ausência de grandes catástrofes naturais em solo nacional. A terra já andou tremendo no litoral de Santos ou em algumas cidades do nordeste, mas nada que causasse grandes perdas. No entanto uma hipótese divulgada nos últimos anos tem deixado muita gente com a “pulga atrás da orelha”: a possibilidade de um tsunami nas costas norte e nordeste do Brasil ocasionada pela erupção de um vulcão nas Ilhas Canárias, no litoral norte do continente africano.

“Segundo Bill McGuire, diretor do Centro de Pesquisa de Riscos Benfield Grieg, da University College of London, um grande bloco de terra, aproximadamente do tamanho da ilha britânica de Man (572 km²), está prestes a se desgarrar da ilha de La Palma, nas Canárias, após uma erupção do vulcão Cumbre Vieja.”
Fonte: http://180graus.com/geral/vulcao-nas-ilhas-canarias-ameaca-explodir-e-gerar-onda-de-ate-100m-351881.html de 12/08/2010

A última erupção do Cumbre Vieja foi em 1949, quando o flanco oeste desmoronou, apenas cerca de 4 metros desta parte afundou no mar. Esta erupção deixou o terreno instável. Conforme o site Ambiente Brasil:

“No caso das Ilhas Canárias foi observado um aumento da atividade sísmica/vulcânica no interior da ilha. Como a mesma estava inerte a várias dezenas de anos, o topo do cone vulcânico, que é a própria ilha, se consolidou de tal forma que se extinguiu o respiro ou válvula de alívio da pressão interna do vulcão. Assim, quanto mais sinais ela der de atividade vulcânica no seu interior maior será o risco de haver uma erupção vulcânica de grandes proporções. O tamanho da onda tsunami gerada será proporcional à quantidade de energia transmitida ao mar no momento da erupção.”
Fonte: http://ambientes.ambientebrasil.com.br/agua/artigos_agua_salgada/os_tsunamis.html
 
Testes feitos em laboratório mostraram que a onda se propagará pelo Oceano Atlântico varrendo os litorais de Portugal, Espanha, Inglaterra, Canadá, Estados Unidos, Ilhas do Caribe, países da América Central e do Sul,  da costa norte do Brasil até o estado da Paraíba, além da própria África. Não existem dados concretos com relação aos tamanhos das ondas, pois estas vão variar de acordo com a intensidade da erupção e da possibilidade de haver o desmoronamento de uma das paredes do cone do vulcão. Estudiosos garantem que as ondas podem ser de cerca de 35 metros na costa da África até cerca de 6 a 10 metros na costa norte do Brasil.
Mas este tema não foi abordado aqui para alarmar ou divulgar notícias fantasiosas, mas para colocar algumas questões: O que as autoridades brasileiras estão fazendo a respeito? Existe um plano de contingência? Em quanto tempo haverá a desocupação da costa? Como avisar as comunidades pobres, vilas de pescadores e comunidades ribeirinhas, principalmente ao longo do Rio Amazonas, que deverá ter uma pororoca sem precedentes?
Vale ressaltar que as grandes capitais, como Fortaleza e Recife, têm a maior faixa urbana ao longo do litoral, com altitude média de apenas 3m acima do nível do mar.
Uma amiga minha, que trabalhou num hotel do Algarve, em Portugal, me contou certa vez que houve um alerta de tsunami na região. Segundo ela, a área foi evacuada em cerca de DUAS HORAS. Felizmente não houve o tsunami, mas fico aqui pensando em quanto tempo uma cidade brasileira poderia colocar todos os moradores e visitantes em segurança caso houvesse um alerta deste tipo.
Os brasileiros têm o péssimo hábito de achar que nada de pior vai acontecer. Este otimismo é na realidade um comodismo ignorante. Vejam as catástrofes naturais pelas quais passamos nos últimos dois anos. Quantas mortes poderiam ser evitadas na região serrana do Rio de Janeiro? Quantas pessoas poderiam ter escapado dos desmoronamentos na região de Angra dos Reis, no município de Mauá, na capital paulista e em vários outros locais Brasil afora? Quantas perdas financeiras, pessoais, sonhos, sofrimentos...
Todas estas questões me fazem lembrar de uma piadinha sem graça que ouvi há muito tempo. A velha piada contava que Deus, no momento da criação, foi questionado (não me perguntem por quem):
- O que o Senhor vai colocar nesta faixa de terras, a que chamarão de Europa?
- Ah! Aqui eu vou colocar terremotos, nevascas, vulcões, e um povo briguento que sempre estará de mau humor.
- Certo, Senhor. Mas e nesta outra área, que chamarão de África?
- Aqui eu vou colocar também muitos vulcões, muita fome, muita seca, desertos, animais ferozes e peçonhentos.
- Tá bom, Senhor. E nesta grande faixa de terra que será chamada de Ásia?
- Boa pergunta. Aqui vou colocar várias religiões, muitas crenças, que não se aceitarão e não se respeitarão. Mas também vou colocar terremotos, maremotos, vulcões, desertos de sal, riqueza contrastando com pobreza, muito dinheiro e muita fome.
- Senhor, se me permite uma outra pergunta. Por que neste pedação de terra que se chamará Brasil eu não vejo desgraças como nos outros lugares do mundo?
- Bem, neste local eu vou colocar praias lindas, natureza exuberante, muitos rios de águas límpidas, animais exóticos, clima ameno, a maior floresta tropical do mundo e não haverá terremotos, maremotos, nevascas ou vulcões.
- Mas Senhor, por que tantas coisas boas no Brasil e só desgraça no resto do mundo?
E Deus, do fundo da sua sabedoria infinita respondeu:
- Você ainda não viu o povinho que eu vou colocar lá!
Não concordo com o fim da piada, mas penso que deveriam mudá-la para: você não viu o tipo de políticos que eu vou colocar lá.
Por que todo mundo reclama dos nossos políticos e não faz nada? Por que nossos políticos só pensam em enriquecimento ilícito e em levar vantagem em tudo? Por que só o salário deles pode ter aumento real? São tantas as perguntas que você, leitor, gostaria de incluir neste rol.
Mas vamos pensar então em Turismo, e não em política. Um notícia desta pode influenciar a escolha do turista? Os milhares de brasileiros e europeus acharão mais seguro outros destinos ao invés de Fortaleza, Natal, João Pessoa e Recife? E se tivermos um plano de contingência seguro e eficaz, capaz de garantir a segurança destas cidades na possibilidade da erupção do Cumbre Vieja?
Lembro-me que quando trabalhava no Le Meriden Bahia tivemos um ensaio de evacuação do prédio para casos de incêndio. Tínhamos que pensar em todos os hóspedes, nos que estavam dormindo ou utilizando as diversas áreas do hotel, utilizando uma lista com todos os nomes e, no final, com a certeza de que 100% estavam seguros, inclusive os funcionários. Conseguimos esvaziar o hotel em cerca de 30 minutos. Considerando que são raros os hotéis que têm este tipo de treinamento, associado à ineficácia do poder público e à catástrofe anunciada, não vejo bons resultados.
Existem tantas secretarias municipais, estaduais, federais, além das associações ligadas ao turismo e NENHUMA se manifestou ainda. Até quando o planejamento vai ser deixado em segundo plano? Até quando este comodismo ignorante disfarçado de otimismo vai dominar? Quando é que o poder público vai começar a pensar nas infinitas possibilidades que podem colocar em risco a vida da população? Não é somente a possibilidade de erupção do Cumbre Vieja, mas a ocupação irregular de encostas e áreas de risco, beiras de rios e córregos, destruição das matas ciliares, assoreamento de rios e lagos, falta de fiscalização e licenciamento de obras – inclusive as públicas, lixões clandestinos, esgotos irregulares, epidemias de dengue, esquistossomose, bicho barbeiro, AIDS, hepatites... Quanta desgraça por falta cuidados, educação e principalmente INICIATIVA de quem pode realmente fazer alguma coisa.
A erupção do Cumbre Vieja é uma hipótese assim como os desmoronamentos de encostas da região serrana do Rio de Janeiro eram antes de acontecerem, com uma única diferença: a primeira foi elaborada por um grupo de cientistas e a segunda? Não sei... ninguém noticiou, ninguém publicou, ninguém divulgou...

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